segunda-feira, 12 de junho de 2017

Sala de Exibição Walmir Almeida, no Centro Cultural de Aracaju




Sala de Exibição Walmir Almeida.

Instalado no Centro Cultural de Aracaju (antiga Alfândega), inaugurado em 2014, o espaço está destinado à promoção e divulgação da produção audiovisual independente, além da realização de mostras e festivais de cinema. 

Patrono do espaço é o fotógrafo e cinegrafista sergipano Walmir Lopes de Almeida (1930 - 2012), cujas lentes registraram acontecimentos sociais e históricos do estado e da capital Aracaju.

Praça General Valadão, 134 (Centro Cultural de Aracaju), no centro da cidade.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Centerplex Cinemas inaugura seu primeiro complexo em Aracaju.


Texto publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 16 de novembro de 2016.

Centerplex Cinemas inaugura seu primeiro complexo em Aracaju.

A nova unidade estará no Aracaju Parque Shopping e contará com conceito MEGA, sala VIP e diversos itens de tecnologia e comodidade.

Por: JornaldaCidade.Net.

A rede Centerplex já iniciou os preparativos para chegada em Aracaju. O novo complexo, localizado no Aracaju Parque Shopping, terá um projeto arquitetônico exclusivo e oferecerá salas com padrão Stadium e também com conceito MEGA e VIP. Além disso, terá funcionalidades para trazer conforto e agilidade no atendimento aos clientes, como terminais de autoatendimento, fila integrada para compra de ingresso e produtos da bombonière - Ingresso & Pipoca -  e poltronas numeradas, que facilitarão ainda mais a compra de ingressos pela internet.

MEGA.

O conceito MEGA proporcionará uma experiência única de imersão através de som e imagem, por meio da tecnologia Dolby Atmos® e telas gigantes de alta resolução. A sensação é de se transportar para dentro da história com um áudio que se move de forma arrebatadora e envolvente por toda extensão da sala.

VIP.

Para compor o projeto, o Centerplex oferecerá aos clientes de Aracaju uma sala com padrão VIP, onde os espectadores poderão desfrutar de um serviço exclusivo e de alto nível. O espaço inclui, além de poltronas especiais, atendimento diferenciado desde a bilheteria até o serviço de bombonière.

Sobre o Centerplex Cinemas.

Com 35 anos de história, a rede Centerplex Cinemas tornou-se uma das maiores exibidoras cinematográficas do Brasil. Hoje, são mais de 60 salas distribuídas pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Alagoas e Pernambuco.

Texto reproduzidos do site: jornaldacidade.net

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Cinelaser Shopping Peixoto, no município de Itabaiana/SE.

Cinelaser e suas quatro salas, no Shopping Peixoto, na cidade de Itabaiana - Sergipe.
Foto: Juarez Ferreira Gois.
Reproduzida do Facebook/Carlos Mendonça.

Cinesercla Shopping Prêmio, em N. S. do Socorro/SE




Cinesercla Shopping Prêmio.

Nossa Senhora do Socorro/SE - Shopping Prêmio.

Capacidade: 4 salas - 807 lugares.

Inaugurado em: 25/01/2013.

Contato: (79) 3256-8545 / (79) 3238-3030.

Endereço: Avenida Coletora A, s/n Loja 122.
Conjunto Marcos Freire I - Nossa Senhora do Socorro - SE - CEP 49160-000.

Cinelaser já está pronto e será inaugurado no dia 8 de junho/2017





Publicado originalmente no site Itnet, em 6 de junho de 2017. 

Shopping Peixoto: Cinelaser já está pronto para ser inaugurado

O Cinelaser em Itabaiana será mais uma opção para o entretenimento dos itabaianenses.

por Redação do Portal Itnet

O Shopping Peixoto será inaugurado em Itabaiana nesta quinta-feira, 08. Junto com ele, será a vez também do Cinelaser “abrir as portas” no município serrano e ser uma opção de entretenimento para jovens e adultos, não só de Itabaiana, mas de todas as partes.

Há duas décadas que Itabaiana não possui nenhum cinema. Apesar do crescimento vasto, esse era um aspecto que deixava sempre a desejar, e os itabaianenses precisavam se deslocar para outros municípios, a exemplo de Aracaju ou Nossa Senhora do Socorro para assistir a um filme.

O Cinelaser tem um amplo espaço para atender bem aos itabaianenses e também pessoas de toda a região.

Texto e imagem reproduzidos do site: itnet.com.br

Cinelaser, no Shopping Peixoto, município de Itabaiana/SE.



Publicado originalmente no site Moita Mídia, em 3 de setembro de 2016. 

Shopping de Itabaiana confirma empresa que irá operar salas de cinema

Após muitos anos sem cinema, Itabaiana receberá em breve um complexo com quatro salas

Convidar amigos ou alguém especial, assistir a um filme com pipoca quentinha. Esse cenário volta aos poucos a ser visto nas cidades do interior do estado. Em Itabaiana, também não será diferente. A cidade serrana ganhará em breve um complexo de cinemas.

As novas salas de cinema da cidade serão instaladas no Shopping Peixoto. O shopping, com previsão de inauguração para novembro deste ano, comunicou oficialmente que a rede Cinelaser (ou Laser Cinemas) será a operadora das quatro salas.

A rede começou as atividades em 1999, em Vilhena, Rondônia, atuando como locadora de vídeo. Anos mais tarde, em 2006, migrou para o ramo do cinema.

Atualmente, O Cinelaser conta com quatro complexos, distribuídos nas cidades de Vilhena e Ariquemes, em Rondônia, nos shoppings Park Shopping Vilhena e IG Shopping, respectivamente. Os outros dois complexos estão localizados em Santarém, Pará, no Shopping Paraíso e em Sorriso, Mato Grosso, no Park Shopping Sorriso. Além desses, a rede também anuncia a inauguração de um novo complexo em Barra das Garças, também em Mato Grosso.

Outras cidades

Em Sergipe, duas cidades além da capital já contam com salas de cinema, localizadas também em centros comerciais.

A primeira, Nossa Senhora do Socorro (Região Metropolitana de Aracaju), recebeu em 2013 um complexo com quatro salas no shopping da cidade.

Em seguida, em 2016, a cidade de Nossa Senhora da Glória ganhou duas salas de cinemas em um importante centro comercial local.

Antigos cinemas de Itabaiana

A cidade serrana já contou com cinemas que fizeram parte do convivo da cidade e atualmente residem na memória e na história de Itabaiana.

O Cine Santo Antônio era localizado onde hoje funciona um importante supermercado da cidade. Também era conhecido como o Cinema do Padre, em frente à Praça João Pessoa.

Já o Cine Popular, estava localizado à Rua 13 de Maio. Atualmente o local é a sede de uma emissora de rádio.

Por Lucas Honorato, redação MoitaMidia.com.

Texto reproduzido do site: moitamidia.com

sábado, 3 de junho de 2017

Cinemas de rua: Da luta econômica à resistência cultural

O Capitólio foi um dos cinemas de rua mais frequentados pela população  de Porto Alegre
 nos anos 1920 e, apesar do baixo público atualmente, ainda traz nostalgias da época.
Crédito: Thuane Liesenfeld.

 A bilheteria dos cinemas de rua não tem trazido muito retorno financeiro,
 mas aqueles que pagam por estes filmes não se arrependem
 de investir nessa experiência histórica.
 Crédito: Thuane Liesenfeld.

 Ainda com situações precárias e pouco público, 
a magia dos cinemas alternativos não deixam de encantar.
 Crédito: Thuane Liesenfeld.

 Cinemas de rua tem uma rica história que precisa ser preservada.
Crédito: Thuane Liesenfeld.

Referência para os cinemas de rua do Brasil, 
o Cine Caixa Belas Artes de São Paulo é um exemplo de superação. 
 Crédito: Prefeitura de São Paulo / Cesar Ogata.

Publicado originalmente no site Jornalismo Econômico, em  11/10/2015.

Cinemas de rua: Da luta econômica à resistência cultural.

Vivenciando dificuldades no meio cinematográfico, mesmo com exibições que proporcionam culturas diferentes, os cinemas de rua tem lutado uma guerra árdua para manterem suas portas abertas. Acompanhe nesta reportagem a luta das salas da capital gaúcha, e conheça o movimento vitorioso que reabriu as portas do Cine Belas Artes em São Paulo.

Por Thuane Liesenfeld
Jornalismo Econômico / Manhã

Sustentados, principalmente, por patrocínios de bancos ou órgãos públicos, os cinemas de rua de Porto Alegre como Cinemateca Paulo Amorim, PF Gastal, Cinemateca Capitólio e Cine Santander Cultural são espaços exclusivamente importantes para a cultura cinematográfica da capital do Rio Grande do Sul. Com a exibição de filmes artísticos e de nichos menos abrangentes, esses espaços oferecem uma experiência diferente aos cinéfilos apaixonados, ainda que tenham poucos recursos. Mesmo em Porto Alegre – uma das capitais que mais tem cinemas de rua no Brasil – os espaços que exibem filmes artísticos e com um viés mais cult são pouco procurados em comparação aos cinemas comerciais de shoppings. Apesar do público razoável que se interessa por este tipo de arte e com ingressos mais baratos, a bilheteria desses locais é restrita e o público diário não chega a passar de 200 pessoas em méia. A baixa renda dificulta a sustentação e restauração digital destas salas de cinema.

A primeira sala

No final da década de 1900 as pessoas se arrumavam com sua melhor roupa para visitarem o cinema Recreio Ideal, a primeira sala de cinema fixa de Porto Alegre, localizado na Rua dos Andradas. Enquanto outros espaços foram nascendo ao longo dos anos, cada vez mais pessoas descobriam seus amores pelos filmes. O Centro Histórico da capital gaúcha ainda mantêm resquícios de prédios que um dia abrigaram salas que exibiam filmes alternativos. Não precisa ser muito velho para lembrar-se de cinemas de rua que se mantiveram ou fecharam há pouco tempo.

Quem caminha pela esquina da Andrade Neves com a avenida Borges de Medeiros, por exemplo, ainda acha a construção “vintage” e a placa do antigo Cinema Vitória, criado em 1940 com o nome de Vera Cruz, e fechado em 2014. Este tipo de cinema foi o auge e o glamour de Porto Alegre do século XX. Foi um tipo de distração que alcançou muito público em pouco tempo devido ao baixo valor dos ingressos e da novidade que era assistir uma reprodução de imagens em uma grande lona com filmes como As Damas do Bosque Boulogne (1945), A Dança Serpentina (1896) ou A Chegada de Um Trem de Passageiros (1896).

Cinemateca Capitólio

Seguindo pela Borges de Medeiros, uma das avenidas mais movimentados da capital, logo adiante nota-se um prédio pintado de vermelho-alaranjado, conhecido como um dos mais antigos da cidade. Nele ainda existe um dos primeiros cinemas de rua de Porto Alegre, a Cinemateca Capitólio, de 1928.

Reinaugurado neste ano, tendo uma movimentação curiosa e ainda que não chame tanta atenção como antes, o local tem tido um público melhor do que outros cinemas de rua existentes na cidade. “O nosso maior público no Capitólio, em abril, foi 2.954. A média fica em torno de 1.500 por mês, atualmente”, confirma Leonardo Bomfim, programador do cinema e do P.F. Gastal (localizado na Usina do Gasômetro). Ainda assim, Bomfim grifa que a principal renda dos espaços que administra não vem do público e sim do patrocínio sustentado pela Prefeitura de Porto Alegre.

Santander Cultural

O Cine Santander Cultural, localizado na rua Sete de Setembro, que abriu suas portas em 2001, é outro cinema que se mantém no Centro Histórico de Porto Alegre devido a sua variedade de opções. Segundo Luciana Tomasi, uma das administradoras do local, o Santander traz filmes muito importantes que geram reflexão, são libertadores, causam discussão e que lotam as sessões comentadas.

Apesar de atrair a atenção de muitos fãs de cinema alternativo, Tomasi afirma que “sem o patrocínio do Banco Santander, não teria a menor chance de fazer as mostras e sessões comentadas, pois não renderia bilheteria”. Cinemateca Paulo Amorim  Outros cinemas do mesmo ramo, como a Cinemateca Paulo Amorim, de 1986, localizado na Casa de Cultura Mario Quintana, não tem uma média de público muito diferente do Capitólio ou do Santander.

Ainda que tenha uma programação diversificada que atrai principalmente turistas e visitantes, e ser um local de fácil acesso, a renda da bilheteria não varia da média de R$ 1.000 durante a semana e não ultrapassa a média de R$ 4.000 nos finais de semana, mesmo sustentando três salas de reprodução.

A Cinemateca, ao contrário de outros cinemas de rua da capital, não tem sustento por órgão público, e apesar de ter um patrocínio de R$ 17.000 do Banco Banrisul e uma ajuda de custo da Associação de Amigos da Cinemateca Paulo Amorim, o dinheiro mal paga os funcionários do estabelecimento.

O principal fator que contribui para a preocupação dos programadores e administradores destes poucos locais que restaram na capital é a falta de público e renda para manter estes pontos históricos e de resistência cultural. Em alguns cinemas, o sustento ainda é feito por rendas extras que cobrem com os gastos e investimentos precisos, mas no caso de outros, como a Cinemateca Paulo Amorim, o dinheiro que entra em caixa através do banco ou de associação não é suficiente e se faz mais dependente da bilheteria.

Valéria Nunes é gerente da Cinemateca Paulo Amorim, responsável pelo pagamento de todos os funcionários do estabelecimento, e afirma: “como a Cinemateca vive da bilheteria, é uma situação muito delicada. A falta de renda vindo dela pode levar ao fechamento de uma das salas, se não todas, gerando a demissão de sete funcionários”.

“Sempre será um ciclo: sem público – sem recursos – sem digitalização – sem filme bom – sem renda –  sem pagamento de distribuidoras – sem filmes – sem público”

Um fato que tem chamado a atenção dos responsáveis pelos cinemas de rua de Porto Alegre, e que tem colaborado com a dificuldade econômica, é a extinção dos filmes em formato de rolo 35 mm. Mônica Kanitz, programadora da Cinemateca Paulo Amorim, confessa que sua maior preocupação hoje é a falta de recursos para a digitalização das salas de cinema. Com o término permanente do 35 mm, a falta de opção de filmes “lançamentos de mercado” só tem agravado a baixa quantidade de público, pois as salas do cinema ainda mantêm o projetor de 35mm.

“Sempre será um ciclo: sem público – sem recursos – sem digitalização – sem filme bom – sem renda –  sem pagamento de distribuidoras – sem filmes – sem público”, lamenta. Inclusive, a situação das rendas é tão crítica para o local que Kanitz também confessa ter medo de que a Cinemateca feche, como o Vitória, por não conseguir pagar as contas e os funcionários.

De fato, praticamente quase todos os cinemas de rua da capital ainda operam com o tipo de projeção antiga. No caso do Capitólio e P. F. Gastal, Bomfim informa que tem duas limitações: ainda não há projeção em DCP (Digital Cinema Package) – o que impede a exibição de vários filmes apenas disponíveis nesses formatos – e cada espaço tem apenas uma sala. Segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), “o processo de digitalização do parque exibidor, iniciado há aproximadamente cinco anos, continua em expansão, porém o ritmo é abaixo do esperado. O ano de 2013 encerrou com 1.353 salas digitais padrão DCP, o que representa aproximadamente 51% do parque exibidor brasileiro já digitalizado”, e ainda há muito que fazer em cinemas como os tradicionais da capital gaúcha.

De acordo com a programadora da Cinemateca Paulo Amorim, Mônica Kanitz, de todos os filmes lançados no Brasil (são mais de 1.000 por ano), 56% deles pertencem a esse universo de filmes de arte, mas só tem 4% de salas digitalizadas para a exibição desses filmes.

“Olha o nicho que temos aqui! Temos espaços para exibir esses filmes só que eles são lançados em formato digital, e não temos recursos para este formato. Infelizmente, a bilheteria não rende e o patrocínio não cobre”, lamenta Kanitz.

Alternativa ao blockbuster

Desta cultura cinematográfica (de ingressos baratos, filmes de nichos e localização em ruas e becos) que se sustentam os cinemas de raiz em Porto Alegre – adorados por tantos que viveram os anos de glamour da capital e por jovens cinéfilos que gostam de experimentar novas experiências, ou repudiados por quem costuma frequentar somente cinemas de filmes blockbuster.

“Existe um público grande que sofre com a falta de opções dos grandes cinemas, que exibem os mesmos filmes e ignoram vários outros. A P. F. Gastal nos últimos anos lançou com exclusividade vários filmes grandes, importantes, premiados em festivais, que provavelmente não teriam chance em shoppings”, constata Leonardo Bomfim, programador do cinema.

Já para Luciana Tomasi, do Cine Santander, “no cinema de rua que se tem a única chance de ver cinema de arte, documentários importantes, tendências cinematográficas e filmes de autor”. A importância de manter esses cinemas, para Bomfim, é que “em primeiro lugar, o filme é a única coisa que realmente importa”, diferente dos cinemas de shoppings que muitas vezes o filme é secundário, ou faz parte de um pacote.

O programador diz que sabe que alguns filmes exibidos nos cinemas de rua são bem radicais, como os do Julio Bressane e do Tsai Ming-Liang, que não terão um público grande e nem darão retorno financeiro, mas, para ele, esses filmes precisam ser exibidos – a cidade tem que ter a chance de vê-los no cinema.  “Isso muda a forma como o espectador se relaciona com os filmes”, defende Leonardo BomFim.

Os funcionários

Manter esses locais vivos não é só importante para o público que admira essa arte “diferente”, mas também para aqueles que dependem desses cinemas para o sustento de suas famílias.

Madalena Luiza John é um dos sete funcionários da Cinemateca. Com 55 anos, trabalha no local há mais de 22 anos como bilheteira, e afirma emocionada que não tem coragem de trabalhar em outro lugar, não só devido ao tempo de experiência, mas – muito mais – pelo apego que tem ao cinema.

“Esse cinema tem história, não o vejo fechando. As pessoas que vêm aqui, todos gostam do lugar, da casa, da programação – é um espaço lindo. Tenho amigos que dizem que quando chegam à Cinemateca se sentem em casa, como se fosse um refúgio no meio do Centro de Porto Alegre. Eu me sinto assim também”, confessa Madalena.

Apesar de serem a minoria – “como 70% das salas de cinema se encontram dentro de shoppings” e apenas 14% das quase 2.500 salas espalhadas por todo o Brasil são consideradas cinemas de rua, segundo dados do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual da Ancine – eles enriquecem o folclore cinematográfico do país. Mesmo que a multinacional norte-americana Cinemark lidere o ranking de exibições e públicos no Brasil e o GNC seja um dos mais visitados, não se deve desistir de lutar pela permanência dos cinemas de rua.

“O cinema de rua está ai para oferecer uma variedade de filmes e sensações que tu não encontras em outros cinemas”, defende Mônica Kanitz. E para impedir que  esses cinemas acabem se transformando em igrejas, lojas ou agências bancárias – sem um pingo do tradicionalismo que encantou tanto o público quando descobriram a projeção – cultivar a visita a esses locais ajudará a mantê-los vivos. Pois, como Valéria Nunes, gerente da Cinemateca Paulo Amorim, deixou claro: “a principal diferença dos cinemas de rua para os de shoppings é que os cinemas de rua tem uma história magnífica que não pode ser apagada”.

Uma luta vencida  com muita mobilização

As dificuldades sofridas por cinemas de rua não acontecem somente em Porto Alegre.  São Paulo, no ano de 2013, teve um dos seus principais cinemas de rua fechado por falta de renda. O Cine Belas Artes, hoje com o nome de Caixa Belas Artes (por causa do novo patrocínio da Caixa Econômica Federal), é o tradicional cinema de rua de São Paulo criado em 1943 localizado na esquina da Av. Paulista com a Rua da Consolação.

Apesar de ser um dos locais mais adorados por cinéfilos da cidade, tendo uma média de 10 filmes em cartaz por semana e uma variação de gêneros desde filmes de arte a clássicos antigos, ainda assim teve suas estruturas abaladas quando suas portas fecharam após 68 anos de história. O local deixou sem emprego cerca de 30 funcionários.

Como consequência, iniciou-se na capital paulista um movimento pela reabertura do cinema. Cinéfilos, jornalistas e simpatizantes do espaço se uniram realizando uma das maiores mobilizações já ocorridas no Brasil em defesa de um cinema de rua. Após o ato, em 2014, a Prefeitura de São Paulo e a Caixa Econômica Federal viabilizaram a reabertura do clássico espaço que foi reinaugurado no dia 19 de julho do mesmo ano.

Confira entrevista exclusiva de Eliane Manfré, uma das representantes do Movimento Belas Artes (MBA) no Conselho de Amigos do Cine Belas Artes, concedida ao blog de Jornalismo Econômico da UniRitter.

O que foi o Movimento Belas Artes e como foi criado?
Eliane Manfré – O Movimento Cine Belas Artes se constituiu de forma espontânea com frequentadores do cinema e amantes da sétima arte que se mobilizaram para que o espaço não fechasse, depois se organizaram para reabri-lo, e atualmente trabalham para que o equipamento cultural seja reconhecido e registrado como patrimônio imaterial nos âmbitos municipal, estadual e federal. As atividades se formalizaram como movimento social na reunião realizada em 10/01/2011 em uma das salas do cinema. Na tua opinião, qual o principal marco deste movimento para a cultura cinematográfica de São Paulo? Eliane – Consideramos pelo menos três marcos divisórios: a vitória da cultura sobre a especulação imobiliária; elemento impulsionador para a criação de uma política pública para o cinema de rua com a inauguração da agência Spcine; e a solução inovadora encontrada para a reabertura do cinema, atuação social com parceria público privada.

Qual o principal fator que contribui para a dificuldade econômica dos cinemas de rua?
Eliane – A ausência de políticas públicas que contemplem incentivos fiscais, isenções e benefícios mais robustos para o exercício e proteção da atividade que não se paga por si só. Há na cidade de São Paulo uma lei que concede incentivos e isenções para o cinema de rua, porém, além de insuficiente para cobrir o valor exorbitante dos aluguéis, a lei tem sido pouco usada, visto que a Prefeitura ainda não criou uma estrutura mais ágil e menos burocratizada para aprovar os incentivos. É necessário que o planejamento e a gestão de nossas cidades estabeleçam salvaguardas para as atividades e espaços culturais. No caso de São Paulo, o MBA foi muito ativo na discussão da revisão do plano diretor estratégico (PDE), aprovado em 2014. Graças à mobilização da sociedade civil e de propostas do MBA e outros grupos, o PDE criou a figura do território de interesse da cultura e da paisagem (TICP) e a ZEPEC-APC. A ZEPEC-APC é uma zona especial de preservação cultural que irá proteger espaços culturais em função principalmente da relevância da atividade neles exercida, mais do que em função dos traços arquitetônicos do imóvel. Qual a importância de manter vivo estes tipos de cinemas alternativos? Eliane – São espaços que exercem função social, contribuem para o desenvolvimento de uma cidade mais humana.

O que os cinemas, como o Cine Belas Artes, têm que os cinemas de shopping não tem?
Eliane – Programação diferenciada com eventos regulares (Noitão, Cineclube); localização estratégica com acessibilidade através de transporte público; e preços de ingressos mais baratos. É um local de encontro que propicia o diálogo, o convívio com as diferenças e contribui diretamente para a formação de público. Desde sua reabertura em 2014, reserva uma sala para exibição de cinema nacional e mantém programação educativa para crianças da rede pública aos sábados pela manhã.  A programação educativa foi uma das propostas do MBA para que as manhãs ociosas do cinema fossem ocupadas com atividades para e com as escolas, particularmente as públicas.

Por que os cinemas de rua são dignos de serem visitados e prestigiados?
Eliane – São patrimônios históricos, culturais e afetivos da cidade. Guardam a memória pessoal e coletiva. São espaços lúdicos e acolhedores por natureza.

Como a extinção das cópias em 35 mm afeta os cinemas de rua?
Eliane – O projecionista de rolo é uma profissão em extinção. Este profissional demonstra resistência e dificuldade em se adaptar às mídias digitais. Quanto ao arquivamento de conteúdo no novo formato, é preocupante acompanhar a ausência de formatos eficazes que preservem os filmes. Corremos o risco de perder muitos registros. Ao ser reformado para reabrir em 19/07/2014, o Cine Belas Artes equipou suas seis salas com projetores digitais, mas três delas também contam com projetores de películas em 35 mm para a exibição de clássicos.

Texto e imagens reproduzidos do site: jornalismoeconomico.uniritter.edu.br

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Cinema Olympia completa 105 anos (2017)

 O cinema mais antigo do país ainda em funcionamento completa... 105 anos.
 A valorização da história do cinema é um dos focos da atual administração.

 Nazaré Moraes, gerente do Olympia, reforça a importância do espaço para a cultura local.

Luiz Otávio Muniz é operador de projetor cinematográfico do Cine Olympia
 desde que a Prefeitura assumiu a administração


Publicado originalmente no site Agência Belém, em 09/04/2017.

Cinema Olympia completa 105 anos..., em plena atividade

Da Redação - Agência Belém de Notícias


O cinema mais antigo do país ainda em funcionamento completa..., 105 anos. Trata-se do Cinema Olympia. Administrado desde 2006 pela Prefeitura de Belém, o espaço perdeu o caráter comercial - hoje em dia toda a programação é gratuita -, porém, o foco na valorização cultural e educativa continuam mais fortes do que nunca, através de projetos desenvolvidos no espaço e da programação fixa exibida no local.

Luiz Otávio Muniz, 54 anos, é operador de projetor cinematográfico do cinema desde que a Prefeitura assumiu a administração. É ele o responsável por exibir os filmes na telona há 11 anos. “Trabalhar no Cinema Olympia pra mim é uma honra, pois era um sonho. Nunca imaginei que estaria aqui quando o cinema completasse 105 anos”, declarou Luiz.

Ele trabalha há 27 anos como projecionista, começou no antigo Cinema Palácio. Naquela época os cinemas de rua aglomeravam filas enormes em suas portas para os filmes de maior bilheteria, e Luiz ficava maravilhado em fazer parte daquele mundo que lhe encantava desde a infância. “Sempre fui curioso pra saber como aquelas imagens eram projetadas na tela. Na verdade, comecei a trabalhar no Cinema Palácio como ajudante de pedreiro, porque eu já queria aprender o ofício de operador”, revelou. “Todos os dias depois do expediente, ia pra cabine com os projecionistas saber como aquilo ali funcionava. Algum tempo depois acabei me tornando operador”, contou sorrindo.

PROGRAMAÇÃO DE ANIVERSÁRIO - Na próxima segunda-feira, 24, será Luiz o encarregado de exibir nas telas do Cine Olympia a programação especial de aniversário do espaço, que começará às 18h30 com a exibição do filme “Ninho de Amor”, de 1923, seguido de “Sherlock Jr.”, de 1924. Os dois filmes são clássicos do cinema mudo dirigidos por Buster Keaton.

Para o Olympia, estes filmes têm grande representatividade, já que remetem à época do cinema mudo. A data resgata a importância do período no qual o cinema foi inaugurado. “Entendemos que é uma grande homenagem ao cinema exibir estes filmes durante seu aniversário de 105 anos, valorizando a história do espaço, que foi inaugurado em 1912, exatamente na época do cinema mudo” afirmou a gerente do Cinema Olympia, Nazaré Moraes, frisando que os filmes terão ainda o acompanhamento musical do pianista Paulo José Campos de Melo.

PROJETOS – A valorização da história do cinema é um dos focos da atual administração. Por isso, um dos projetos desenvolvidos hoje no espaço é o “Cinema e Música”. Iniciado em 2013, conta com a parceria da Fundação Carlos Gomes e resgata o período do cinema mudo, com a presença de acompanhamento musical durante as produções. O projeto acontece uma vez por mês, às terças-feiras, e recebe grande público.

Projetos como o “A Escola vai ao Cinema” também têm trazido resultado positivo para o espaço. Iniciado em 2007, a atividade já atendeu mais de 100 mil estudantes, cumprindo o papel não só de valorizar a produção cultural, mas também de formar novas plateias para o cinema. “Cinema é cultura, tem muitas crianças e adolescentes que encontram aqui a oportunidade de desfrutar desse momento de lazer que também é cultura”, ressaltou Nazaré Moraes.

A partir deste projeto, a gerência do Cinema Olympia enxergou outro passo importante que o cinema poderia dar. E, em 2014, deu início ao “Cinema Olympia Itinerante”, que levou a sétima arte a região das ilhas de Belém. E o melhor, tudo gratuito. Comunidades quilombolas, moradores da ilha das Onças, Combu, Paquetá, entre outros, já receberam o projeto que sempre acontece no segundo semestre do ano, para fugir do inverno amazônico, período mais chuvoso da região.

“Temos muita coisa acontecendo aqui. O Cinema Olympia completa 105 em plena atividade e desenvolvendo um importante papel na cidade de fomentador cultural da nossa produção local, mas também da história do cinema. Através do projeto ‘A Universidade vai ao Cinema’ também criamos uma plateia de multiplicadores de informação, que poderão divulgar a nossa cultura e o nosso cinema”, finalizou a gerente do Olympia.

Texto: Kennya Corrêa
Foto: João Gomes / COMUS / Uchôa Silva/Comus
Coordenadoria de Comunicação Social (COMUS).

Texto e imagens reproduzidos do site: agenciabelem.com.br

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Cinema no olho da rua



Publicado originalmente no site da Revista de Historia, em 06/07/2011.  

Cinema no olho da rua

Primeiro foi a TV, depois vieram os shoppings, o DVD. Agora, a Internet. Com tantos rivais, as salas que ficam na beira da calçada têm um fim anunciado.

Por Alice Melo e Ronaldo Pelli

Se não fosse pelos cartazes e faixas em tom de protesto, um desavisado que passasse perto da esquina da Rua da Consolação com a Avenida Paulista na noite de 17 de março último poderia pensar que ali ocorria algum tipo de comemoração. Era exatamente o contrário. O espaço que fora tantas vezes protagonista da cena cultural paulista nos anos 1980 virava palco de uma despedida: o sexagenário Cine Belas Artes exibia sua última sessão de cinema. Depois de um ano sem patrocinador majoritário, a sala não tinha mais como arcar com o aluguel, já que proprietário tentava reajustar o preço. Nem a reivindicação dos frequentadores nem o apelo do dono da marca conseguiram evitar o fechamento, anunciado ainda em janeiro.

Este caso não é um fato isolado. A cada ano, mais cinemas instalados em imóveis na beira da calçada fecham as portas, enquanto cresce o número de salas abertas em shopping centers. De acordo com um levantamento divulgado pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) em abril passado, havia em funcionamento no Brasil 2.206 salas de cinema em 2010, sendo 83% (1.822) instaladas em shoppings e 17% (384) em ruas ou em locais desconhecidos. A previsão da Ancine para este ano segue a tendência: das 97 salas que devem ser inauguradas em todo o país, apenas duas ficarão fora de shoppings. A crise dos chamados “cinemas de rua” – grandes salas localizadas fora dos centros comerciais – é antiga, e data de um período em que a produção cinematográfica em geral sofria uma crise.

 “A cada dia cinemas são fechados em todo o mundo. A tradição de se assistir a um filme em uma sala escura, em uma tela grande e compartilhando essa experiência com muitas pessoas está acabando. O hábito de ir ao cinema diminuiu porque surgiram outros meios de assistir a filmes: a TV, o DVD, a Internet”, opina o cineasta Marcelo Gomes, que dirigiu o filme “Cinema, urubus e aspirinas”, de 2005.

A cada ano, mais cinemas de rua fecham as portas, enquanto cresce o número de salas abertas em shopping centers

Esta onda de fechamentos começou nos anos 1980 e continuou até 1995, quando o número de salas no Brasil nunca foi tão pequeno desde o início da contabilização pelo governo, em 1971. No ano da maior redução, a Ancine registrou apenas 1.033 salas em funcionamento. Em 1975, o auge da contagem, o número era mais do que o triplo, 3.276. A partir de 1996, a tradição cinematográfica encontrou uma brecha para se reeguer mesmo sob a “ameaça” das locadoras e das TVs a cabo: começou a ser importado o modelo norte-americano dos complexos multiplex – grande número de salas, filmes campeões de bilheteria, conforto, ar-condicionado, combos de pipocas e refrigerante. A quantidade de salas voltou a crescer, mas com novas prioridades.

Se antes a ida ao cinema era um programa em si, com direito a discussões que se espalhavam pelos arredores após a exibição dos filmes, hoje o “cineminha” passou a ser, na maioria das vezes, o complemento de um dia de compras num shopping. “A experiência cinematográfica mudou; agora as pessoas vão sem se importar com o que irão ver”, explica Fernando Toste, editor assistente do boletim Filme B, dedicado ao mercado de cinema.

“A tradição de se assistir a um filme em uma sala escura, em uma tela grande, está acabando”, diz o cineasta Marcelo Gomes

O jornalista Alberto Shatovsky, responsável pela programação do Grupo Estação, do Rio de Janeiro, se lembra bem do tempo em que o cinema era outro. Na década de 1970, ele esteve à frente do famoso Cinema 1, em Copacabana, que se tornou a segunda casa de cinéfilos no período. “Foi um acontecimento. Tinha uma frequência muito alta, ideias novas. Tínhamos um bar na parte de trás, com cafezinho servido no hall. Éramos pioneiros”, conta, empolgado. No fim do século passado, o Cinema 1 fechou as portas, entrando na onda em que embarcariam outros símbolos de uma geração disposta a travar discussões sobre cinema e política em bares e cafés das redondezas, como acontecia no Cine Paissandu, no bairro do Flamengo. Os tempos eram outros.

Esses espaços também sofrem com a especulação imobiliária. As salas tendem a ser menores e em maior quantidade, para a exibição de mais filmes. As grandes construções se tornam um prejuízo para os proprietários do imóvel, que preferem alugá-lo a empresas mais rentáveis, como farmácias, lojas de departamento, estacionamentos – e templos religiosos.

A consequência mais imediata desse deslocamento é a diminuição do número de pessoas que transitam nas cercanias das salas de rua. Um cinema é um equipamento artístico que projeta para sua vizinhança o movimento de indivíduos interessados em um determinado tipo de entretenimento. No caso do Belas Artes, em São Paulo, após seu fechamento, os vendedores informais de livros que trabalhavam numa passagem subterrânea nas proximidades reclamaram que a região ficou deserta. O prédio foi pichado. Moradores de rua elegeram suas marquises como seus novos tetos. A área minguou.

“Cinemas são lugares de encontro nas calçadas, produzindo coletividade, produzindo arte. Eles trazem uma força para a cidade porque chamam as pessoas para a rua. Povoam a localidade com algum vetor de pensamento. Quando a crise acontece e as ruas perdem essas salas, há uma degradação dos espaços urbanos”, opina Talitha Ferraz, doutoranda em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora do livro A segunda cinelândia carioca: cinemas, sociabilidade e memória na Tijuca (Multifoco, 2009). Segundo ela, o espaço em frente aos cinemas da rua é um verdadeiro acontecimento: ali as pessoas se juntam na fila da pipoca, do ingresso; conversam, paqueram. Com a retirada destes chamados “equipamentos urbanos”, a calçada passa a ser apenas um local de passagem. “Quando se esvazia a cidade de lugares simbólicos, passa-se a moldá-la por outro tipo de preocupação – provoca-se um afeto ligado ao consumo”. E se conforma: “Mas também não dá para voltar ao passado, porque o mercado é outro.”

“Quando a crise acontece e as ruas perdem esses cinemas de rua, há uma degradação dos espaços urbanos”, opina a pesquisadora Talitha Ferraz.

O documentarista Eduardo Coutinho, diretor de “Edifício Master” (2002), também se mostrou resignado com a mudança. “O cinema de rua acabou há 20 anos e não volta mais. Acabou porque as pessoas preferem ir aos shoppings, porque lá passam os filmes de que elas gostam, tem segurança, tem as lojas, tem estacionamento”, diz ele.

O desaparecimento desse tipo de sala, claro, não se restringe ao Sudeste. André Steyer, professor de Letras na Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR), cresceu assistindo a filmes clássicos em prédios tradicionais nas calçadas de Porto Alegre. Ele diz que, mesmo com a derrocada deste tipo de cinema, a capital gaúcha consegue se manter como um dos maiores polos culturais do Brasil: “A cidade nunca deixou de ter uma das melhores programações cinematográficas. O maior problema ocorre nas cidades de médio e pequeno porte, que têm poucas ou nenhuma sala de cinema”.

Os números da Ancine mostram que os 38 municípios com mais de 500 mil habitantes concentram 60,74% das salas do Brasil, ao passo que as quase cinco mil cidades com menos de 50 mil habitantes (4.958, para ser exato) detêm só 4,04% do total. Este percentual corresponde a 89 salas de cinema, distribuídas por 83 municípios.

A cidade de Afogados da Ingazeira tinha tudo para ser um desses casos, mas conseguiu contornar as dificuldades. Situado no sertão do Pajeú, no interior de Pernambuco, com cerca de 35 mil habitantes, o município consegue manter o Cineteatro São José. Inaugurado em 1998, é a única opção de lazer dos afogadenses. Além das sessões diárias com filmes do circuito comercial, ele conta com uma programação diferenciada às segundas-feiras: funciona no local um cineclube, onde são exibidos gratuitamente clássicos brasileiros e obras expressivas do cenário pernambucano, seguidos de debate. “A gente tenta levar o povo ao cinema, criar o hábito de as pessoas assistirem a filmes e pensarem sobre eles, o que não é comum no interior”, diz Marcos Antônio, um dos funcionários.

O governo federal até tenta mudar esse quadro de concentração de salas nos grandes municípios. Desde 2010, incentiva a construção de cinemas em zonas periféricas e cidades de pequeno e médio porte. Mas em um ano do projeto, apenas duas iniciativas foram aprovadas pelo “Cinema perto de você”, e ambas no Rio de Janeiro: o Cine 10, inaugurado no bairro de Sulacap, na Zona Oeste, e o Cinema de Irajá, no bairro homônimo da Zona Norte.

A popularização do cinema digital permitirá uma programação diferenciada, prevê Fernando Toste, do Filme B.

Em Copacabana, outra iniciativa mostra como os cinemas de rua continuam a ser queridos e objeto de esforços para suas manutenção. Um pequeno e tradicional cinema dentro de uma galeria renasceu unicamente pela aposta de seu proprietário. Sem ajuda do governo, sem apoio externo. Após passar uma temporada em Paris, Raphael Aguinaga decidiu profissionalizar seu hobby reabrindo, no final de abril deste ano, o Cine Joia, que estava fechado desde a década passada. “Quando voltei, achei que essa massificação de salas em shoppings tinha desumanizado a ida ao cinema”, conta ele, que programa seu espaço também com filmes fora de cartaz, respeitando apenas o critério da qualidade. “Também me incomodou o preço do ingresso no Brasil”, diz ele, que pratica preços abaixo do mercado: R$ 10,00 a entrada inteira.

Fernando Toste, do Filme B, oferece outro ponto de vista. Segundo ele, a popularização do cinema digital permitirá uma programação diferenciada: “Aquele templo está passando por transformações. É complicado tentar achar que há vilão, ou que há um motivo por ter acabado o cinema de rua. Há uma grande transformação no consumo de cinema e muitas opiniões conflitantes”. Ele acrescenta que os fóruns na Internet e os sites para download de filmes chegaram não para fazer falir a experiência cinematográfica, mas para modificá-la e readaptá-la. Ali criam-se novos tipos de cineclubes, onde o cinéfilo tem acesso ao filme via web e o discute com outros espectadores de qualquer parte do mundo. Rompe-se a barreira do espaço. Um exemplo dessa “desterritorialização” de ver e de comentar filmes é a rede social Mubi. O slogan do site explica perfeitamente sua proposta e reflete essa intenção: “Seu cinema on-line, a qualquer hora, em qualquer lugar. Assista, descubra, discuta”.  “Na rede, a ideia de comunidade é mudada. Ela potencializa o debate”, sugere Toste. O que só prova que o cinema, na sua versão de rua, pode até estar agonizando, mas, como produção artística, dificilmente morrerá.

SAIBA MAIS:

ALMEIDA, Paulo Sérgio e BUTCHER, Pedro. Cinema, desenvolvimento e mercado. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2003.

FERRAZ, Talitha. A Segunda Cinelândia Carioca: cinemas, sociabilidade e memória na Tijuca. Rio de Janeiro: Ed. Multifoco, 2009

GONZAGA, Alice. Palácios e Poeiras – 100 Anos de Cinema no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Ministério da Cultura/Funarte/Record, 1996.

Blogsobre cinemas antigos de São Paulo

Texto e imagem reproduzidos do site: revistadehistoria.com.br

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O fértil Cine São Luiz


 A maravilhosa sala do cineteatro São Luiz.

 .Hall de entrada com mármore de Carrara e lustres de cristal Tcheco.

Fachada do cinema na praça do Ferreira, Centro de Fortaleza.

Publicado originalmente no site da Revista Ideias, em 12 de agosto de 2016.
  
O fértil Cine São Luiz.
Por José Augusto Jensen. 

Luiz Severiano Ribeiro foi o maior exibidor brasileiro na época dourada do cinema, ou seja, os anos 1930, 1940 e 1950. Cobria o norte, nordeste e a capital federal, na época, o Rio de Janeiro. Seu filho e seguidor, Ribeiro Júnior, entrou na sociedade da Atlântida, produzindo filmes, distribuindo-os e criando um laboratório de processamento e revelação. Fechava o ciclo do que se chamaria de indústria cinematográfica brasileira e configurava, segundo a crítica da época, um grande monopólio. Criariam o maior fenômeno das telas brasileiras: as chanchadas da Atlântida.

Os números impressionam. “O homem do Sputnik”, de 1959, dirigido por Carlos Manga, foi assistido por 15 milhões de pessoas, quando a população brasileira era de 60 milhões. Poderia citar muitos outros sucessos, além dos cinejornais semanais e documentários produzidos. Apesar de inúmeros cinemas enormes e de alto luxo, Severiano Ribeiro resolveu presentear a cidade em que se firmou como empresário, Fortaleza, recomendando aos arquitetos e projetistas: “Quero em minha terra o cinema mais luxuoso do Brasil e não apenas do Ceará”. A construção levou vinte anos, pois tinha como principal obstáculo as precariedades da segunda guerra mundial, com grande parte do material usado importado, como mármores de Carrara, pisos e esquadrias, lustres da Tchecoslováquia, equipamentos de ar-condicionado e o melhor para a projeção e som. Foi inaugurado em 26 de março de 1958 com o filme “Anastácia, a princesa esquecida” (Anastacia), com Ingrid Bergman, Yul Brynner, direção de Anatole Litvak, produção Fox de 1956.


Com a deterioração do centro da cidade e a proliferação das pequenas salas nos shoppings, o espaço acabou sofrendo e fechou, apesar de tombado em 1991. Em 2007, a empresa entrou em acordo com o SESC, mas com os equipamentos desatualizados e precários, acabou não dando certo. Em 2009, a Igreja Universal ofereceu à empresa Severiano Ribeiro R$ 1 milhão pelo cinema e prédio. Houve mobilizações de setores cearenses, e o grupo Severiano Ribeiro, no intuito de preservar o imóvel e sua finalidade cultural, vendeu-o ao Estado do Ceará por 3 milhões de reais. O grupo continua atuante em shoppings, no formato multiplex stadium, apesar da entrada agressiva no mercado das empresas estrangeiras.

Após dois anos de reformas e a um custo de 17 milhões de reais, reabriu como Cineteatro, em 22 de dezembro de 2014. Foi equipado com tela móvel de exibição, caixa cênica reestruturada, camarins, fosso da orquestra, equipamentos de sonorização e iluminação para teatro, dança e música. O projetor digital instalado para cinema é da empresa Barco de 2k e a sonorização para filmes Dolby 7.1, com caixas JBL. Com acessibilidade para deficientes e mais espaço entre as poltronas, o número de lugares ficou com um pouco mais de mil poltronas. O edifício acima do cinema abriga a Secretaria de Cultura e da Ciência e Tecnologia. Espaço magnífico, cumpre importante função cultural na vida de Fortaleza e é peça importante na revalorização do centro da cidade.

Além de abrigar o Cine Ceará, Festival Ibero-americano de Cinema e outras mostras, o cineteatro tem extensa programação regular, como Clássicos São Luiz, com filmes de Fellini, Bergman e outros, tem ênfase em produções brasileiras, europeias, enfim as chamadas alternativas. Na função de programador, Duarte Dias tem dificuldades com as distribuidoras devido ao baixo preço dos ingressos: R$ 6,00 a inteira e R$ 3,00 a meia, dificultando a negociação com as produções desejadas, apesar do número de poltronas.

Julho teve extensa programação de filmes infantis, além das sessões especiais para alunos de escolas públicas durante o ano letivo. Tudo visando à formação de público, que como escreveu a Adriana Sydor, em artigo desta revista: “Uma política pública de cultura séria não tem editais de financiamento de projetos até de capitalização de artistas como ponto central de seu texto. Política pública de cultura tem que envolver formação de plateia, educação, informação, conhecimento. Tem que se relacionar mais com a população do que com os artistas.”


Imagine, Adriana, eu estava no cineteatro São Luiz em 26 de junho, um domingo, e fui ao que eles chamam de sessão sonora com início às 16 horas. Começou com a exibição do documentário “O homem que engarrafava nuvens”, contando a trajetória do compositor cearense Humberto Teixeira, que fez dupla e ficou à sombra do mais conhecido Luiz Gonzaga. Produzido pela filha Denise Dumont, conta com a participação de diversos cantores, depoimentos e gravações em arquivo. Dirigido por Lírio Ferreira, tem duração de 100 minutos, projeção e som da mais alta qualidade. Após, Denise foi entrevistada e anunciou a doação do acervo da família ao Museu da Imagem e do Som do Ceará. Então a enorme tela subiu e, no palco, um show abrangendo músicas de Humberto Teixeira com um grupo da cidade. Foi muito emocionante vermos no documentário imagens do interior do estado e seus cantadores. Preço do extenso programa: R$ 20,00 a inteira e R$ 10,00 a meia.

A secretaria ainda mantém o Centro Cultural Dragão do Mar, na praia de Iracema, enorme espaço para exposições e mais duas salas de cinema, cafés, lojas, restaurantes e o planetário.

Algo parecido aconteceu com o Cine São Luiz em Recife, também mantido pelo Estado de Pernambuco, apresentando extensa programação de filmes, com ênfase no cinema nacional.

Voltando à terrinha, ainda ouço a notícia de que o governo do Estado do Paraná quer vender, por motivos inconfessáveis, o único espaço que restou dos cinemas da capital, o Cineteatro Vitória, transformado num pequeno e mixuruca centro de convenções, alegando que é deficitário. Realmente, a pequenez cultural e mental da qual dependemos neste governo nos torna mendigos à espera de eventos ou simples filmes não comerciais, que não encontram espaço nesta combalida Curitiba. Vergonhoso. Já que o imóvel pertence ao Estado, já estaríamos com mais de meio caminho andado para a transformação do espaço. Ou não merecemos nem uma pequena parte do que os cearenses, pernambucanos e outros cidadãos brasileiros desfrutam?

Texto e imagens reproduzidos do site: revistaideias.com.br

domingo, 3 de julho de 2016

Mobi Cine, no Avelar Shopping, em Nossa Senhora da Glória/SE.




Shopping center de Nossa Senhora da Glória/SE.
Mobi Cine Glória, no Avelar Shopping.
Foto reproduzida do Facebook/Fan Page Avelan Shopping. 

sábado, 14 de maio de 2016

Cinema Vitória, Rua do Turista, em Aracaju/SE.








Cinema Vitória - Quem somos:

Em maio de 2013, o Cine Vitória foi reaberto. Com capacidade para 130 espectadores e uma estrutura moderna apta a receber confortavelmente o público, o único cinema digital de rua de Sergipe é administrado pela Casa Curta-SE. Durante o primeiro ano de funcionamento, o cinema já realizou 794 sessões e quase 14 mil espectadores foram assistir às produções. Desse total, 3.699 tiveram acesso a sessões gratuitas. Inaugurado em outubro de 1934, o Cinema Vitória era ligado à Ação Solidária dos Trabalhadores. Funcionou por décadas na rua Itabaianinha, centro de Aracaju, até ser fechado na década de 80. Com a criação da ‘Rua 24 Horas’, no final da década de 90, foi novamente instalado no local, mas teve suas atividades encerradas em 2002.

O espaço também foi palco de 16 mostras e festivais, sendo alguns com acesso gratuito. Neste período, foram exibidos 462 filmes. Entre os projetos do Cine Vitória também está o Sergipe Memória em Rede. Ao todo, foram 17 produções sobre a história do Brasil com acesso gratuito à população.

O novo espaço, revitalizado mediante convênio firmado entre o Governo de Sergipe e o Ministério da Cultura (MinC), é administrado pela Casa Curta-SE, instituição sem fins lucrativos ligada à área do audiovisual. O cinema funciona na Rua do Turista (antiga Rua 24 Horas), localizada à rua Laranjeiras, 307, centro da capital sergipana, e representa uma excelente opção para os que apreciam a arte cinematográfica de qualidade.

O Cine Vitória é um projeto cultural de autoria e gerido pela Casa Curta-SE e desenvolvido pela Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe (Secult), a partir de uma gestão compartilhada.

Texto e algumas imagens reproduzidos do site: cinevitoria.com.br